Nos últimos dias estive envolvido num debate sobre a existência de Deus, razão, fé, ciência moderna, design inteligente ou caos no universo etc. O papo desenrolou-se no blog A trolha do chacal (mais especificamente nos comentários da postagem "nova enquete" sobre ser ou não ateu.)
Ao longo deste processo o que mais chamou minha atenção foi a estéril proposição de "provar" a existência ou não existência de Deus. Ora, se de fato procurarmos ser minimamente racionais não será difícil perceber que tal coisa não faz o menor sentido, e por um motivo muito simples: a questão é inválida logicamente desde a sua formulação.
Na verdade, este tipo de proposição é típica de ateus e materialistas (no sentido filosófico claro) que tentam restringir o debate à sua arena. Obviamente, dentro do seu universo conceitual, conhecimento válido é tão somente aquele que pode ser "provado" de acordo com o paradigma da ciência moderna. Não há espaço aqui para outras modalidades de conhecimento.
Da mesma forma não há espaço para fé, para Deus, para o sobrenatural, para o metafísico, para o místico. Dentro deste universo conceitual todas essas coisas estão com os dias contados diante do avassalador avanço da ciência. Portanto, a proposição de "provar" a existência de Deus nada mais é do que uma armadilha capciosa para atrair os homens de fé para um campo onde sua fé perderia o sentido.
O que não consigo entender é a obsessão por provar a (in)existência de algo que não cabe em seu universo conceitual. Ora, Deus pertence ao campo do metafísico, do sobrenatural e está ligado à modalidade de conhecimento da fé, portanto, não deveria sequer constituir uma questão - para ateus e materialistas - a "prova" de sua (in)existência, pois, sua nulidade já está implícita.
Antes de se preocupar com Deus e com os que nele acreditam, os cientistas ateus e materialistas deveriam se concentrar mais nos problemas, dificuldades e paradoxos de seu próprio campo conceitual, que não são poucos diga-se de passagem.
Alguns pedidos aos ateus e materialistas:
1) Sejam mais racionais e esqueçam aquilo que pensam não existir;
2) Não venham "encher meu saco" com seus filtros conceituais cerceadores da liberdade de pensamento. Deixe-me em paz com minhas crenças "ridículas", "delirantes" e "fantasiosas" e acreditem, elas me preenchem e realizam existencialmente, estou muito feliz assim;
3) Não venham me impor seu paradigma conceitual como uma verdade absoluta e suficiente, vociferando o que é válido ou inválido, aceitável ou inaceitável, verdadeiro ou falso. Compreendam e aceitem: MUITOS GOSTAM DE PENSAR PARA ALÉM DESTES LIMITES!
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