domingo, 29 de junho de 2008

Cenário dantesco

Infelizmente, as negociatas eleitorais - e o cenário dantesco que se desenha a partir delas - só fazem solapar nossa esperança de novos tempos para nossa Campos. Não sou dado a pessimismos, mas, inegavelmente, o que temos visto é desanimador, muito desanimador.
O fato é que a terceira via - que no horizonte utópico tinha tudo para ser uma avenida ampla, vistosa e plana - na prática não passou de uma ruela acidentada, pedregosa e sem saída, e que ficou pelo caminho.
Assim, o que se desenha para as eleições de 2008 não passa de um cenário limitado àquela "falsa polaridade" (nas palavras do prof. Roberto Moraes). Ou seja, apesar do "telhado de vidro" é "mais do mesmo" e nada mais.
Lamentável...

sábado, 28 de junho de 2008

Desabafo de um homem de fé

Nos últimos dias estive envolvido num debate sobre a existência de Deus, razão, fé, ciência moderna, design inteligente ou caos no universo etc. O papo desenrolou-se no blog A trolha do chacal (mais especificamente nos comentários da postagem "nova enquete" sobre ser ou não ateu.)
Ao longo deste processo o que mais chamou minha atenção foi a estéril proposição de "provar" a existência ou não existência de Deus. Ora, se de fato procurarmos ser minimamente racionais não será difícil perceber que tal coisa não faz o menor sentido, e por um motivo muito simples: a questão é inválida logicamente desde a sua formulação.
Na verdade, este tipo de proposição é típica de ateus e materialistas (no sentido filosófico claro) que tentam restringir o debate à sua arena. Obviamente, dentro do seu universo conceitual, conhecimento válido é tão somente aquele que pode ser "provado" de acordo com o paradigma da ciência moderna. Não há espaço aqui para outras modalidades de conhecimento.
Da mesma forma não há espaço para fé, para Deus, para o sobrenatural, para o metafísico, para o místico. Dentro deste universo conceitual todas essas coisas estão com os dias contados diante do avassalador avanço da ciência. Portanto, a proposição de "provar" a existência de Deus nada mais é do que uma armadilha capciosa para atrair os homens de fé para um campo onde sua fé perderia o sentido.
O que não consigo entender é a obsessão por provar a (in)existência de algo que não cabe em seu universo conceitual. Ora, Deus pertence ao campo do metafísico, do sobrenatural e está ligado à modalidade de conhecimento da fé, portanto, não deveria sequer constituir uma questão - para ateus e materialistas - a "prova" de sua (in)existência, pois, sua nulidade já está implícita.
Antes de se preocupar com Deus e com os que nele acreditam, os cientistas ateus e materialistas deveriam se concentrar mais nos problemas, dificuldades e paradoxos de seu próprio campo conceitual, que não são poucos diga-se de passagem.
Alguns pedidos aos ateus e materialistas:
1) Sejam mais racionais e esqueçam aquilo que pensam não existir;
2) Não venham "encher meu saco" com seus filtros conceituais cerceadores da liberdade de pensamento. Deixe-me em paz com minhas crenças "ridículas", "delirantes" e "fantasiosas" e acreditem, elas me preenchem e realizam existencialmente, estou muito feliz assim;
3) Não venham me impor seu paradigma conceitual como uma verdade absoluta e suficiente, vociferando o que é válido ou inválido, aceitável ou inaceitável, verdadeiro ou falso. Compreendam e aceitem: MUITOS GOSTAM DE PENSAR PARA ALÉM DESTES LIMITES!

terça-feira, 17 de junho de 2008

Prefeitura em campanha contra o TAC

Nosso vergonhoso desgoverno municipal não cansa de substimar nossa inteligência. Para ilustrar reproduzimos abaixo parte de uma "notícia" recentemente veiculada pelo site oficial da prefeitura:

"TAC também ameaça Fundação da Infância
Por Michelle Mayrink
O corte de 40% dos funcionários terceirizados da Prefeitura de Campos promete afetar drasticamente a execução de projetos e programas da Fundação Municipal da Infância e da Juventude (FMIJ), que oferece a cerca de 4 mil crianças e adolescentes, de 0 a 18 anos incompletos, atendimentos médico, odontológico, orientação para estudos, refeição, atividades esportivas, sócio-culturais e semi-profissionalizantes. (...) Na Fundação, 40% equivale a 80 funcionários, que são de fundamental importância para as ações desenvolvidas por meio de projetos, programas e abrigos (...)."
O que mais impressiona é o completo descaramento com que distorcem a verdade na intenção de defender o indefensável. Pelo que me consta, a justiça apenas exige que a prefeitura corte 40% do pessoal contratado. Isso não significa, necessariamente, que cada fundação tenha que cortar este percentual de funcionários.
O que fica evidente é a estratégia do Macabro - na expressão do espirituoso xacal - de tentar manter todos os contratados, pelo menos até o fim de seu mandato, sensibilizando a opinião pública com falsos argumentos de que a população, sobretudo a mais carente, é que será prejudicada com o referido corte.
Ora, não precisa ser muito inteligente - basta não estar cooptado pelo poder - para perceber que a manutenção destes contratos não passa de um estrategema político-eleitoral para assegurar a permanência da "mamata" para os que aí estão. Basta lembrar que os serviços públicos, mesmo sem o corte, já estão deixando muito a desejar, e a bastante tempo.
Resumindo, a estratégia é a seguinte:
1) Tentar manter os todos os contratos sob a alegação que são fundamentais para a manutenção de serviços públicos essencias (mentira, pois está muito bem comprovado pela justiça que grande parte destes contratos são de fatasmas/cabos eleitorais);
2) No caso do corte se revelar inevitável, deixar o ônus político para RH e ter a desculpa pronta para a péssima qualidade dos serviços públicos. Nesta hipótese, provavelmente, os que serão demitidos são aqueles que de fato estão trabalhando, pois, os fantasmas/cabos eleitorais, estes certamente ficarão. De quebra, com a economia na folha sobrará mais dinheiro para a campanha.
Como diria Sherlock Holmes
"Elementar meu caro Watson!"

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Tropeçando nas próprias pernas

O 11 de março se afasta a cada dia e a esperança de um futuro político melhor para nossa Campos parece acompanhá-lo. Na prática, os meandros do nosso sistema judiciário mais uma vez, paradoxalmente, parecem inviabilizar, através dos foros privilegiados e do famigerado trânsito em julgado (mais lento que o paulistano na hora do rush), a consolidação da justiça. Já sentimos o odor da grande pizza sobre o telhado de vidro sendo servida pelo STJ, porta-voz de um sistema construído para tropeçar nas próprias pernas.
Sendo assim, não há como imaginar o sucesso de uma terceira via (que sequer conseguiu se efetivar) num cenário inalterado de um governo corrupto sustentado em contratações espúrias, desvio de dinheiro público e obras superfaturadas. Tudo indica que "a velha e falsa polarização" - na expressão do prof. Roberto Moraes -, salvo um milagre ou coisa afim, permanecerá no poder.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

A moral e a política I

Sem dúvida falar sobre a questão da moral não é tarefa fácil. Não é possível abordá-la sem considerar devidamente um conjunto de aspectos que perpassam de algum modo a temática.

Iniciemos pela definição. O conceito de moral, para os fins deste artigo, poderia ser:

1) o conjunto de regras de conduta que regem uma sociedade;
2) conjunto de princípios e valores que regem as normas sociais;

Pois bem, partindo destas duas acepções podemos inferir, entre outras coisas, que o tema apresenta, pelo menos, dois níveis bem delineados de abordagem.

Num primeiro nível, mais superficial, a questão da moral circunscreveria-se as regras de conduta ou normas sociais que regem a sociedade. Portanto, em primeiro plano estariam as regras que acabam por ser naturalizadas ou absolutizadas. Ou seja, o foco de análise é extrínsico e reduz-se a adequação ou não dos comportamentos individuais ou coletivos à normativa moral vigente.

De modo geral, neste primeiro nível, a essência da moralidade ou imoralidade, ou seja, seus determinantes intrínsecos, acabam não sendo devidamente explorados. O importante seria assegurar que as regras de conduda existentes sejam observadas, pelo menos aparentemente, por "todos" (leia-se pelos outros). Aqui está o terreno fértil da hipocrisia, do puritanismo vazio, do falso moralismo barato. É nesta superficialidade moral que se cobra do político no macro o que não fazemos no micro. Este é o conhecido mundo das aparências e dissimulações onde o problema não é o que se faz mas o que podem descobrir do que se faz.

Na segunda acepção de moral apresentada acima entramos num outro nível de abordagem. Agora a análise aprofunda-se numa discussão de cunho mais filosófico e existencial e vai no sentido dos princípios e valores que servem de determinante para um conjunto particular de normas sociais ou regras de conduta.

Agora não basta definir o conjunto de regras ou normas de conduta que precisam ser seguidas por todos (mas que se cobra apenas do outro), é preciso enfrentar o terreno nebuloso das determinações da moral (ou da falta dela), de sua psicogênese pessoal e social. Neste nível não se pode evitar o enfrentamento com a investigação das motivações últimas da ação humana e, neste particular, faz-se necessário buscar algumas respostas para a velha sempre nova questão da liberdade x determinismo.

Aqui é o terreno dos valores, dos princípios, das crenças, das concepções de mundo e da vida que estão na origem das ações de cada um de nós. Aqui importa muito mais o que realmente somos e não o que queremos que pensem que somos. Em suma, neste nível de análise a prática da imoralidade seria um problema para o homem, não porque chegou às manchetes, mas porque possui, ou deveria possuir, potencial para gerar crises agudas na consciência.
Mais adiante daremos prosseguimento ao tema.

terça-feira, 3 de junho de 2008

"(...) vem vamos embora que esperar não é saber
quem sabe faz a hora não espera acontecer(...)"

Mais um ato "chega de palhaçada" participem!!!

Vamos juntos!

Caros blogueiros, saudações,

Acabo de criar este espaço e pretendo utilizá-lo para:

1) Tecer comentários e expressar minha opinião a respeito de variados assuntos do nosso cotidiano;

2) Publicar pequenos e despretenciosos artigos sobre temas de algum modo relacionados à minha trajetória acadêmica;

3) Reproduzir e/ou indicar leitura de postagens e artigos de terceiros que julgar interessantes;

4) Apoiar o movimento "chega de palhaçada" no sentido de promover um movimento por algo novo na política de nossa querida Campos.

Sejam todos bem vindos!

Estejam a vontade para concordar, discordar, acrescentar etc.

Este blog, acima de tudo, pretende constituir mais um espaço democrático e aberto a livre expressão de pensamento e opinião.

Vamos juntos!!!